Somos todos macacos, porque 98,7% do nosso DNA é exatamente igual ao dos chimpanzés. Mas mesmo assim som3nte o negro acorda com o terrível despertar de carregar o fardo de sua existência desvalida, que o faz inferior aos brancos em uma sociedade racista. Uma sociedade onde ser branco é o paradigma factual que detém a pena da história e o poder. O negro sabe que assim que bater a porta e sair de seu lar estará entregue aos leões, aos dragões da maldade. O racismo lhe espera e estará à espreita em cada quarteirão, em cada loja, no metrô, na lanchonete, na farmácia e em todos os lugares por onde ele passe. O racismo é parte de sua existência. É um protoestado de destruição de almas, de demolição de edpíritos e de dissipador de alegrias, afetos e amores.
O racismo não é obra de Deus. É uma contrução do humano que reverbera o desumano. No racismo a bondade divina fenece e há a assunção do pérfido, do mau, do abjeto. O racismo é como o narciso ao contrário, onde os seus agentes, os racistas, repelem a si mesmo ao se verem confrontados com seu ethos diferenciado, sua representação transformada por adaptações climáticas. O racista não consegue suportar seus eus gritando por outras vidas, outras culturas e outros mundos. Ele não tem força para compreender que não consegue compreender o mínimo do básico da constituição humana na ocupação do planeta. Sente-se superior ompulsionado pela igignorânciq, pela inabilidade social com o diverso e pela capacidade de amar o próximo como o Cristo nos ensinou.
Cavalgando em sua enorme ignorância e tendo às mãos arreios beócios e inescrupulosos, gera óbices existenciais e com fervor disciplina sua reduzida capacidade de compreensão para a sedição antropológica. O racista é por natureza um ignorante, pois, repele a só mesmo quando comete atos racistas. Ao chamar o negro de macaco enquanto gesto de pretensa degradação humana, abre a caixa de Pandora do preconceito contra si próprio, pois de maneira inequívoca também é descendente dos símios.
Nós aforismos de “Humano Demasiadamente Humano”, Nietzsche nos traz à reflexão da prática do mundo, sem um Deus imanente, onde tudo, a vida e a cultura se resumem à simplicidade de simplesmente viver. O racista não consegue viver desse modo, ele precisa se emaranhar em complexidades existenciais toscas lastreada por signos inexistentes.
Quando uma platéia enfurecida através de um transe psicótico passa a ganir impropérios contra um jovem negro que é protagonista do espetáculo pelo simples fato de ser negro é porque ela é morta. Sim é uma platéia morta, morta e composta por ectoplasmas redivivos que se recusam celebrar a vida com todos os seus encantos, pois só conhecem a escuridão e o pavor das tumbas.
A platéia racista não pode permitir o brilho da vida, a celebração, a dança e o sucesso daquele jovem negro. Ela não consegue se enxergar nele, também pudera! Tão cheio de vida, músculos fortes e elásticos como de uma pantera begra, Rico, muito rico, vitorioso e usufruindo o sucesso e a admiração de todo o mundo devido ao que faz de melhor que é jogar futebol. Aquele jovem negro é como Michelangelo criando o teto da Capela Sistina, como Da Vinci pintando a Gioconda e Gaudí em sua interminável catedral.
Porém o jovem negro impiedosamente atacado pela turba racista responde como Picasso construindo Guernica. Constrói sua obra nos gramados de maneira impecável e ao mesmo tempo a destrói em pedaços para mostrar ao mundo a fragilidade humana representada pela violência.
O cientista senegalês Cheik Anta Diop, para inconformismo e fúria dos racistas comprovou através de estudos científicos consolidados que a espécie humana surgiu no continente africano. Sua tese de doutorado aprovada pela Universidade de Paris, foi transformada no livro “The African Origin of Civilization: Mith or Reality”, comprova que os egípcios eram um povo negro.
No livro “Os Condenados da Terra”, o Psiquiatra martiniano Frantz Fanon descreve um panorama devastador sobre os efeitos que o racismo causa na psiquê humana do negro. Fanon jamais ousaria imaginar que um jovem negro pudesse sofrer ataques racistas oriundos de uma multidão ensandecida nas arquibancadas do estádio. Se as ações sutis do racismo causam danos mentais, imaginem uma gigantesca plateia em um estádio em furia, o que não está ocasionando em um indefeso e imberbe jovem negro, que somente precisa exercer sua profissão que é jogar futebol.
Os europeus sempre trabalharam incansavelmente na consolidação de sua superioridade em relação a outros povos. Atuaram em todas as direções possíveis para garantir a comprovação de teorias do eugenismo. Lançaram mão de pseudo ciências como a Frenologia e a Craniologia, por exemplo, que vaticinavam a superioridade caucasiana baseada em diâmetros e volumes de crânios das diversas raças.
No campo da economia, houve a potencialização do Mercantilismo ou expansão do Capitalismo através das grandes navegações. Essas empreitadas coloniais visavam a expansão dos impérios português, inglês e espanhol, que para que pudessem dominar, explorar e escravizar os povos originários receberam da Igreja Católica a permissão para essas ignomínias, através da Bula Papal Dun diversas, emitida pelo Papa Nicolau V em 1452. A bula autorizava as expedições ultramarinas a invadir, dominar, tomar os territórios e escravizar até à morte todos os povos sarracenos e não cristãos. Obviamente que estavam mirando nos continentes africano, americano e asiático. A Dum diversas foi o documento da Igreja Católica que forneceu as chaves que abriram as portas do inferno para os povos africanos e americanos para sempre.
A partir de então as religiões de matriz africanas passaram a ser demonizadas, judeus e ciganos perseguidos pela “Santa Inquisição” e inaugurou o pior dos crimes que a humanidade já sentenciou que foi o colonialismo e a escravidão em massa de indígenas e africanos. São cerca de 100 milhões de vidas envolvidas nesses massacres, desde a Idade Média até o Holocausto Judeu na Segunda Guerra Mundial cometido pelo nazifascismo.
Bertold Brech disse em metáforas que quando a cadela do fascismo entra no cio sua sede de vingança e poder é incontrolável. A Europa não é racista mas os nazifascistas europeus são. Eles não admitem, baseados em suas teorias etnocentristas e eugenistas, que um jovem negro brasileiro de origem humilde se torne milionário e mais do que isso, uma estrela nos esportes de alto rendimento como é o caso do futebol. Não admitem a superioridade do negro. Nunca engoliram Pelé mas reverenciam Cristiano Ronaldo, desdenham Lewis Hamilton mas endeusam Michael Schumacher e assim por diante
O caso Vinícius Júnior mostra que a ferida continua latente sob as cicatrizes históricas do processo de descolonização e extinção da escravidão de seres humanos. Esse processo preconceituoso somente chegou a esse ponto porque as Nações Unidas e as grandes potências estão voltadas para a circulação de capital e não para o bem estar da humanidade. Albert Einstein disse que é mais fácil quebrar o átomo que quebrar um preconceito. A ONU criou e incluiu em seu organograma o “Fórum de Afrodescendentes”, que pode ser um bom caminho para que se possa iniciar um processo global de educação antirracista e penalização dos atos de racismo.
Esse modelo neofascista europeu que nos assusta é o mesmo que erigiu o Terceiro Reich e a ascensão de Hitler ao poder. Ele também está aqui no Brasil, onde políticos se referem ao peso de negros em arrobas, como gado. Quando negros e negras são retirados de aviões sem um causa específica, quando um músico e sua família são metralhados por 80 tiros em uma tarde de domingo e quando um menino negro perde a vida ao cair do nono andar de um prédio, porque a madame que era responsável por sua segurança estava fazendo as unhas.
A tarefa para enviar os ratos de volta ao esgoto de onde vieram é enorme. Deve começar em cada casa, depois em casa esquina, bairros, cidades e países. Apesar do conceito biológico de raças ter caído por terra, o conceito social e político ainda é mantido. Precisamos nos organizar cada cada vez mais para que as futuras gerações negras não passem e não sofram a dor desse crime hediondo que é o racismo.
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